Com o pneu da minha moto furado, sem tempo para arrastá-la até uma borracharia e sem coragem de pagar um guincho, fiquei andando de moto-taxi por uma semana e meia. Ontem à noite, saindo do trabalho, fui para o ponto de moto-taxi.
Falando no celular, Geraldo*, meu conhecido há alguns anos, na época que eu ainda trabalhava em outro emprego, também, próximo ao ponto que ele trabalha.
- Oiiee! – eu disse
Geraldo falava ao celular (coisa que só percebi depois) e olhou para mim, reconheceu, deu um sorriso e uma piscadinha amistosa.
Fiquei esperando que ele terminasse a ligação. Me aproximei da moto dele.
- Oi gata! Fazendo o que da vida?
Não gosto que me chamem de gata, mas com o Geraldo soava espontâneo, não reclamei.
- Tudo bem. Trabalhando e fazendo faculdade ainda, acredita?
- Faculdade é isso mesmo, leva tempo.
Apenas sorri.
- Tem como você me levar em casa – perguntei - só que eu não estou morando mais com a minha mãe, não. Estou morando ali para frente do COC.
- Opa! Que foi, casou?
- Não, não – disse rindo.
Geraldo soltou uma gargalhada gostosa. Aliás, não era só a gargalhada que era gostosa, quantos anos se passaram desde que eu o via trabalhando do outro lado da rua? Quatro? Cinco? Geraldo só tinha melhorado, deve estar agora no auge dos seus 30 e poucos anos.
- Vamos gata?
- Vamos.
Subi na moto, fiquei super tentada a dizer que me agarraria iria segurar nele, mas resisti.
Fomos conversando durante o trajeto. Ele é engraçadíssimo, uma voz linda, riso solto, fiquei pensando que era uma sorte mesmo o capacete não deixar a gente falar soprando no ouvido do outro, seria desleal.
Perguntei para o Geraldo se ele conhecia um borracheiro perto da minha casa e expliquei-lhe a situação. Ele me explicou direitinho como fazia para chegar em um próximo. Agradeci.
Parou em frente da minha casa. Desci da moto, perguntei o preço, ele me disse e eu paguei.
- Brigadão, viu?
- Ô gata, quer que eu veja isso pra você? Eu já tiro essa roda e levo pra você e depois te trago, quer?
Meus olhos brilharam.
- Poxa, vai dar um trabalhão.
- Nenhum homem fez isso pra você?
- Ah.... é que...
- Tá, deixa que eu levo.
Geraldo entrou na garagem e já foi pedindo as ferramentas. Ele se abaixou e acabou aparecendo o elástico da cueca boxer – preta.
Meu Deus, pensei comigo mesma, não é que o fetiche do mecânico é verdadeiro? Geraldo estava ali fazendo força, se sujando de graxa e eu salivando observando.
- Muito bom – deixei escapar.
- Que foi?
Pega em flagrante, respondi que era muito bom o fato de ele conseguir soltar a roda.
Tá, foi idiota, mas foi o melhor que consegui pensar na hora.
Ele usava um relógio bonito, masculino, imponente. E só Deus sabe o meu fraco com homens de relógio.
Finalmente (pena) Geraldo conseguiu soltar a roda.
- Pronto, onde eu posso lavar as mãos?
Geraldo tem um sotaque bonito, faz todas as concordâncias, ele é graduado em Filosofia, mas não quer dar aula, trabalha como moto-taxi porque rende uma boa grana, bem mais que se desse aula. Passei em frente ao sofá, pensei momentaneamente em jogá-lo lá, desisti, fui com ele para o tanque.
- Pegue o detergente na pia pra mim?
- Claro.
Peguei.
- Pode jogar.
Despejei um pouco de detergente nas mãos de Geraldo, ele começou a esfregar uma mão na outra. Fiquei olhando e por um momento pensei em ajudá-lo a lavar aos mãos, numa espécie de cena improvisada e adaptada de Ghost – claro, só faltaria o vaso de barro.
- Mais...
- Oi?
- Coloca mais detergente, por favor.
- Ah, tá.
Quando acabou de lavar as mãos, Geraldo jogou água no tanque para limpá-lo, para que não ficasse espuma suja. Quantos homens fazem isso? A maioria que eu conheço lava o tênis e deixa a espuma lá, encardindo o tanque.
Geraldo é pra casar.
- Se você quiser, eu já levo lá e te trago agora mesmo.
- Não, você não prefere amanhã? Quando estiver passando perto de um borracheiro, você conserta.
- Tá bom. Toma meu telefone.
Virei o verso do cartão, não, não tinha nada escrito. Deu um toque no meu celular para que ficasse marcado.
- Amanhã eu te trago o pneu, tá?
- Tá, muito, muito obrigada.
Antes das oito da manhã, Geraldo me ligou.
Esse é pra casar².

9 comentários:
Olha eu aproveitava a devolução do pneu, para dar um jeito de casar xcom ele. haushaushuahsuahsuahsuha
Beijos pra você.
Ohhh lááá em ksa. Aproveita a dica da moça Orianna e se nada disso for tããão ficção assim, se joga!
bjos, ú&e =*** Sucesso!
Ui.. que delícia !! rsrsrs
Ve se agarra o cara na volta! rs
bj
A primeira coisa que me veio em mente foi uma cantada de pedreiro
pena que seu negócio é com mecânico :P
uauuuuu!!!!!
é pra casar mesmoooo!!!!
kkkkkkk
Adorei a historinha!!!!
Beijos
Nossa senhora da bicicretinha hahaha se fosse um Geraldo desses parecido c essa foto com ctz a gte casa kkkkk
Adorei a história rs
Bjooo
kkkk... É só historinha?! Peeena!!! rsrs
Abraço.
Hua, kkk, ha, ha, não tem muito que acrescentar ao comentário da Déia...
Fique com Deus, menina Dai.
Um abraço.
Nossa, nem precisava casar. Adoro fetiches assim...
:)
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