quarta-feira, 12 de março de 2014

I was born to love

Deixou-se cair nas almofadas amarelas espalhadas no tapete pistache. Os cabelos ruivos abraçados por um fone grande, que cobria, e com muita sobra, as orelhas enfeitadas por um brinco de pérola presente do pai.


O cheiro de molho de tomate caseiro, que ela mesma fez com um bom punhado de manjericão e tomatinhos frescos, enchia a casa de apetite. O sol espreguiçava pra dentro da sacada do apê e espaçoso, ocupava as  as frestas que de tão dadas, se deixam ocupar sem reclamar.

Ouvia I was born to love e acompanhava o ritmo com a colher de pau que tinha levado para a sala distraída. Os pés descalços iam de um lado para o outro dando pequenos toques duplos toda vez que chegavam em um dos lados. O vestido muito leve dançava sem esforço.

O forno apitou na cozinha ao mesmo tempo que o interfone na sala. Boas coisas sempre chegam com algum aviso.

(trilha do post: I was born to love da Hawa)

 

2 comentários:

Michele Pupo disse...

Day

Que delícia de texto, totalmente sensorial!
Adorei.

Um abraço

Menina Avoada disse...

"boas coisas sempre chegam com um aviso..."

Sensorial mesmo! Adorei!