quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Diálogos

Sentaram em uma sorveteria para tomar milk-shake. Pediram o mesmo sabor.


A: - Não sei em que momento nos desentendemos. A gente é igual.

B: - Somos parecidas, apenas.

A: - Que seja. Mas o fato é que a gente entende uma à outra, todas essas meias-palavras não eram necessárias entre nós.

B: - Se a gente se entendesse tão bem não precisaríamos dessa conversa. Essa é a prova cabal que não entendemos uma à outra.

A: - Não acho. O que eu quero dizer é que não precisamos de máscaras. Você não precisa fingir ter um pudor que não tem. Não precisa amenizar verdades. Pode mostrar suas falhas porque eu já as conheço.

B: - Sim, nesse sentido é verdade. Eu sei que você é foda e você sabe que eu sou. Sabe, inclusive, que eu sou mais foda que você, porque tenho um equilíbrio que você ainda não conseguiu. Você ainda tem esse perfil de incertezas. Eu já quase não mais.

A: - Então, eu acho que temos uma afinidade muito grande.

B: - Essa é a parte que você se engana. Não existe isso de “não ser preciso amenizar verdades”. A verdade não é intrinsecamente boa. A verdade fora de hora é tão má quanto a mentira. O dia que você entender isso, talvez passe a existir essa tal afinidade entre nós.

A: - Mas a verdade é tudo que temos. Se a gente perder a verdade, perderemos todo parâmetro. Perderemos.

B: - Assim como a lei não garante a justiça, assim também a verdade não garante a retidão. Se há um caminho possível para o equilíbrio é a leveza. Sempre, sempre é preciso suavizar a verdade – sobretudo a inconveniente.



Terminaram de tomar o milk-shake em silêncio.

9 comentários:

Daniel Savio disse...

Leveza do ser é inversamente proporcional a quantidade do compromissos que a pessoa tem, mas é direramente proporcional a sensibilidade de espirito que a pessoa tem...

Hua, kkk, ha, ha, ha, meio que não falei nada com nada, mas qualquer coisa, pede para eu tentar explicar melhor, ok?

Fique com Deus, menina Maya.
Um abraço.

Dai disse...

Entendi sim. ..rs

A única coisa é que eu não sei se é inversamente proporcional aos compromissos, porque depende do espírito, né?

beijo!

Única e Exclusiva disse...

Verdades para mim sempre serão um mistério, pois eu prezo por eles, mas, muitos, não conseguem, acompanhar a leveza, do que as coisas poderiam ser!

beijos, ú&e =***

Fernand's disse...

Suave ou não, prefiro mil vezes a verdade! Se brilha ou ofusca, prefiro a verdade. Se molha ou seca, prefiro a verdade. Se bate ou assopra, prefiro a verdade. Dizer a verdade é ter coragem. Acovardar-se na mentira é escolher a segunda cara, quem nem sempre cabe tão bem.

Bjs meus.

Ivan disse...

estou aqui parado pensando o que comentar... no que dizer
mas é tão inteligente a premissa do post... tão cheio de nuances...
acho que são duas pessoas ali que são momentaneamente úteis uma à outra, mas que eventualmente não vão mais se querer... uma parece ja saber disso...
faz sentido?

Love.

Ivan.

Alline disse...

Dai:
As semelhanças realmente existem, mas parece que o entendimento não. O que não impediria o bom convívio, desde que houvesse diálogo e aceitação. Só que aí já é outra história. ;)

Beeeeeeeeeeijo!

Hubner Braz disse...

Amei... Sigo-te NOW

BJss

[Confissões Insanas]

Elaine Gaissler disse...

Eh, nada como uma verdade polida! Mas sempre a verdade! Bom post!
Ei Maya, tem um presentinho pra ti lá no meu blog, é uma brincadeira de indicação, passa lá.
Abraço.

Luna Sanchez disse...

Rs...Tu me pegou, sua danada!

:p

Acho que as duas aqui são aquelas duas lá atualmente, mais maduras, mais cientes de si, mais espertas e, por consequência, mais misturadas.

Coisa boa ler esse texto hoje. Degustei com mais prazer do que teria feito quando foi postado.

Um beijo grande, Dai.