quarta-feira, 15 de junho de 2011

Não é um caso de amor

Enlaçava os braços ao redor dele. Os cabelos muito pretos, lisos, escorriam pelo peito. Estava olhando o teto e se lembrando da última parte que leu do livro Travessuras da menina má. Olhou pra ele e ele também olhava o teto. Esse era um momento que poderia definir com exatidão a concepção que ela tinha sobre languidez. Brincava com os pelos do peito dele, alguns ruivos. A boca doía um pouco por causa das mordidas sofridas. O cheiro dele ainda em sua mão. Pensava muito sobre nada. A cabeça ocupada por um esvaziamento, se é que o vazio ocupa alguma coisa. Certamente, a física quântica diria que sim. Enfim, nada interessava. Aconchegou novamente a cabeça no peito dele. Automaticamente ele começou a passar a mão em seus cabelos, levantava e depois deixava que o próprio peso os fizesse cair. Mordeu o ombro de leve. Dormiram sem perceber. Ela acordaria ainda tendo o cheiro do corpo dele em sua mão.




Música: Dr. Feelgood - Aretha Franklin (recomenda-se ler ouvindo a música)

7 comentários:

Frau Forster disse...

Lindo.

Carolina disse...

Lembra daquilo que falamos sobre se reconhecer nas palavras do outro: Aconteceu.
:)

Dai disse...

Que linda você, Carol

*-*

disse...

uiuiui

Karina disse...

rs... e ainda assim, não é um caso de amor. Eu sei bem.

ℓ.mirella disse...

É, o amor não é isso, mas tem hora que confunde, haha.

Luna Sanchez disse...

O vazio ocupa espaço sim, e ocupa de forma densa e pesada. Isso pode ser bom ou ruim, dependendo da "qualidade" do vazio...

Não, eu não fumei nada hoje. ;)

Beijo.

* Passei naquele post antigo.