terça-feira, 24 de maio de 2011

Aquele que detém o objeto de desejo do outro exerce poder sobre ele.

Subjugar vontades. Nada mais castrante que passar ao outro a vontade que é sua. Esperar o tempo. Esperar o despertar. Esperar, esperar e esperar. zZzZz. A sala de espera é o lugar onde esmagam testículos. Quebrantam luxúrias. Massacram a libido. A sala de espera é um sofá pastel com música ambiente. A sala de espera te lembra que você é um passivo – haja o que houver. A espera te põe de quatro e refresca sua memória sobre quem manda. A sala de espera pega o seu verbo querer e enfia numa revista de fofoca. A espera te joga na cara que não importa o quanto você queira ser fagulha, ela é geleira. A espera é uma musiquinha chata de transferência de chamada dizendo que você precisa ter autocontrole. Ela tem.

6 comentários:

Elaine disse...

Cara, adorei seu texto! A espera nos tem sob controle! :(

Daniel Savio disse...

Mas sempre queremos esperar, esperar pela erupção da nossa vontade, da nossa luxuria e aí vai...

Fique com Deus, menina Maya.
Um abraço.

Frau Forster disse...

Ah porque nem tudo depende de nós! E é realmente muito insuportável quando a nossa vontade está nas mãos alheias. Adorei o texto, Dai!

Bjos

Alline disse...

Eu já larguei mão. Levo um livro ou um bloquinho de papel e caneta e sofro um pouco menos.

Beeeeeijo, Dai!

MOISÉS POETA disse...

UAU...!

Com certeza esse é o mais belo texto que li esse mês.

amei essa pegada !

um beijo, querida !

Luis Felipe de Assis Pinheiro disse...

Um dos melhores textos seus que já li.

=]