quarta-feira, 2 de maio de 2012

Meu ódio dura pouco, meu amor também

É um certo relapso. Não somente com os outros, que não seria menos grave, mas é um desleixo com si mesma. Se o ruim nunca é ruim o bastante, como o bom pode ser? 

É um tipo de desistência. A indiferença nos torna apáticos, descrentes, desmotivados e melancólicos. 

É um tipo de inércia. Você não troca as flores mortas dos vasos. Não abre a cortina. Não deixa a música ecoar. Não há cheiro de alho fritando no azeite.

É um desastre. Não há mais suspiro. Brilho nos olhos. Hidrante no corpo. Presilha nos cabelos. O amor se foi, até mesmo o próprio.


(ouvindo)

3 comentários:

renatocinema disse...

Arnaldo Antunes pura essa letra.

Nara disse...

Me ensina escrever assim igual a você, porque sentir eu acho que já sinto.

:)

Avoada disse...

"Não há cheiro de alho fritando no azeite."

Pra mim, isso é muita falta de amor.

Adorei!