sábado, 17 de março de 2012

Endereço não encontrado

Essa velha mania de passar ao outro o próprio destino. Você está lá, seguindo sua vida, quando de repente pensa: puxa, não seria uma boa ideia entregar a minha vida na mão de outra pessoa?

Não, não seria.

Mas a gente faz e o “entregar-se” só não é mais literal porque não podemos nos mandar embalar, dar um laço e nos mandar por correio.

Ainda não estou certo se o problema é se entregar ou se é se entregar e ao mesmo tempo querer ter controle. A partir do momento que você entrega, o pacote da sua vida está na mão do outro e, pobre ser humano, o que cabe a você é rastrear para ver onde você está indo parar.

E se você não gosta por onde a coisa caminha? Cantarola Cartola: “Disfarça e chora, todo pranto tem hora”. Bom, talvez tenha chegado a hora de chorar, espernear e esgoelar. Grita, ser oprimido, porque você se entregou a alguém e simplesmente você foi parar em destino desconhecido.

 

6 comentários:

Nara disse...

Esses dias cheguei a conclusão de que estava esperando uma pessoa resolver a vida dela para então resolver a minha.


Erro.

É difícil e chato (e dói) mas a gente chega num momento de TER que tomar conta da própria vida. Ninguém vai viver por nós e nem sentir.

Beijo, Daaaai
SÁ LINDA

renatocinema disse...

Para não me entregar sigo ao pé da letra a canção de Arnaldo Antunes "Meu Coração".

Meu Coração, bate sem saber que meu peito é uma porta que ninguém vai atender.

renatocinema disse...

Para não me entregar sigo ao pé da letra a canção de Arnaldo Antunes "Meu Coração".

Meu Coração, bate sem saber que meu peito é uma porta que ninguém vai atender.

***MissUniversoPróprio*** disse...

E tantas e tantas vezes a gente se entrega... e chora...

Muito bom. =)

=**

Avoada disse...

É, esse negócio de se entregar é o máximo! Mas perder o controle é muito complicado...

Frau Forster disse...

Acho que é bem por aí...
Nossa vida vira, por vezes, pacote extraviado. Cadê que me perderam e não sei onde isso foi?
Essas coisas têm me doído tanto, embora menos que do que um dia doeram.
Adorei seu texto, como sempre :)
Mil beijos