Essa velha mania de passar ao outro o próprio destino. Você
está lá, seguindo sua vida, quando de repente pensa: puxa, não seria uma boa
ideia entregar a minha vida na mão de outra pessoa?
Não, não seria.
Mas a gente faz e o “entregar-se” só não é mais literal
porque não podemos nos mandar embalar, dar um laço e nos mandar por correio.
Ainda não estou certo se o problema é se entregar ou se é se
entregar e ao mesmo tempo querer ter controle. A partir do momento que você
entrega, o pacote da sua vida está na mão do outro e, pobre ser humano, o que
cabe a você é rastrear para ver onde você está indo parar.
E se você não gosta por onde a coisa caminha? Cantarola
Cartola: “Disfarça e chora, todo pranto tem hora”. Bom, talvez tenha chegado a
hora de chorar, espernear e esgoelar. Grita, ser oprimido, porque você se
entregou a alguém e simplesmente você foi parar em destino desconhecido.

6 comentários:
Esses dias cheguei a conclusão de que estava esperando uma pessoa resolver a vida dela para então resolver a minha.
Erro.
É difícil e chato (e dói) mas a gente chega num momento de TER que tomar conta da própria vida. Ninguém vai viver por nós e nem sentir.
Beijo, Daaaai
SÁ LINDA
Para não me entregar sigo ao pé da letra a canção de Arnaldo Antunes "Meu Coração".
Meu Coração, bate sem saber que meu peito é uma porta que ninguém vai atender.
Para não me entregar sigo ao pé da letra a canção de Arnaldo Antunes "Meu Coração".
Meu Coração, bate sem saber que meu peito é uma porta que ninguém vai atender.
E tantas e tantas vezes a gente se entrega... e chora...
Muito bom. =)
=**
É, esse negócio de se entregar é o máximo! Mas perder o controle é muito complicado...
Acho que é bem por aí...
Nossa vida vira, por vezes, pacote extraviado. Cadê que me perderam e não sei onde isso foi?
Essas coisas têm me doído tanto, embora menos que do que um dia doeram.
Adorei seu texto, como sempre :)
Mil beijos
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