segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Virou texto

Lembranças não me atormentam. Guardo de nós dois as boas lembranças que tivemos. E se elas não me fazem voltar à você, tampouco se tornam peso. As lembranças são tão suaves como o amor que tivemos. Tão leves como já fomos um ao outro.

O ursinho marrom continua sobre a prateleira. A caneca guardada, o rádio, a Kombi que é caixa de som. O perfume e o hidratante estão sobre a penteadeira. A calcinha branca da Lupo que você me deu ainda está em minha gaveta. Agendas, livros, a sandália branca com o fundo de oncinha improvável. O vestido verde, seu preferido, uso como pijama agora.

Lembranças de quando andei em cima dos seus pés. De quando viajei 100 km a noite e me perdi, só por saudade. De quando vibrei de alegria ao ganhar uma laranja e um alfajor.

Metade do meu notebook é seu. Meu relógio. Celular. O cofrinho de leão. O brinco do meu segundo furo na orelha. As alianças guardadas na caixinha, que estão com você. O livro do Pasquim, que pretendo um dia terminar de ler, está abraçado pelos outros tantos em minha estante. Os cd’s que gravou pra mim, especialmente aquele com nossas fotos impressas nele estão em meu porta-cd, esse objeto tão arcaico quanto uma máquina de escrever, me parece. Meus discos de vinil ainda estão em sua casa. O meu medo por montanhas-russas é culpa sua.

E o meu amor continua aqui, junto com as lembranças, junto com o bem querer. Nosso amor não cabe em uma mala, muito menos os momentos bons. E mesmo que coubessem, para mim, ela, a mala, teria o peso de uma pequena valise, porque o amor tem que ser assim: leve.

Obs.:



A seta e o Alvo - Paulinho Moska

8 comentários:

Nara disse...

Pode sentar no chão e chorar?
É difícil a separação, difícil deixar o que já fazia parte em nosso mais intimo espaço.

Tem gente que não entende. Não quero alguém infeliz perto de mim, não importa a minha dor, mas fazer alguém infeliz, nunca quis.

O tempo, Dai. Isso é fato.

Natália disse...

Lindo o seu texto e mais ainda a leveza do seu sentimento.

Tô seguinto o blog! Beijos!

Carolina disse...

Te dou os parabéns por conseguir conservar tudo isso com essa leveza. Muito difícil não sentir o peso de tantas lembranças e tantos pedacinhos que ficaram presos aos detalhes inumeráveis...

Não sei como está tudo aí. Mas espero que se não estiver, fique logo bem.

Um abraço.

Carolina disse...

Ah, e essa música é ótima!

Frau Forster disse...

Uau! Belo!
Admiro essa leveza na separação: nunca encontrei rs.
Beijos

Luna Sanchez disse...

Eu acredito em fadas e acredito em finais bonitos assim, sem grandes turbulências, com respeito e lucidez.
Finais que fazem jus ao início e ao meio.

Já errei tanto com gente de quem eu gostava...Faria diferente hoje, certeza.

Um beijo.

mara* disse...

Texto inspiradíssimo, fez-me pensar em algodão doce, de todas as cores, que sempre associei ao meu amor, que se foi, mas sempre será o único e eterno.

Beijo

ℓ.mirella disse...

Ai! ~~