terça-feira, 10 de novembro de 2009
Nem pra substituir.
Acho que essa foi a frase mais exemplificadora do filme.
O filme é mais uma daquelas amostras de uma ideia boa que dá errado. A sinopse em si já era um fiasco, quando li disse: a sinopse é fraca, vamos ver se o filme é melhor.
Não foi.
As primeiras cenas do filme mostram a progressão do tempo e a evolução que se dá na robótica e por fim, a inserção uma vez por todas dos robôs na vida humana. Talvez se quisesse questionar alguma coisa, mas o fato é que o filme nem se quer chegou a levantar a questão.
O filme é uma mistura de Eu, Robô com Matrix e no final uma cena que estava mais para Ensaio sobre a cegueira do que qualquer outra coisa.
A atuação do Bruce Willis é… Armagedon?
Se o filme é insosso a trilha sonora então… é inexistente, como disse minha amiga, “a única hora que tem música é a musiquinha do elevador” e nos créditos. A música dos créditos proporciona mais emoção que uma cena ápice de perseguição da bandida pelo mocinho.
Nestas horas que vemos como uma boa trilha faz falta, talvez com o embalo certo o filme pegasse na retranca. Acho que nem assim.
Ainda bem que era segunda-feira de promoção.
Modelo Inep de Fazer.
No entanto, na prática, o que foi apresentado foi mais uma vez o famigerado jeitinho brasileiro. Eis que às portas do Enem surge a suspeita de fraude, chamada suspeita somente por puro pudor burocrático, porque era mais que fato - para desespero de milhares de alunos. O excelentíssimo ministro da Educação, com a maior tranquilidade, disse que este era o momento para os alunos aproveitarem para estudarem mais, obviamente ele não havia se inscrito para a prova.
E se não bastasse os panos quentes metodicamente colocados sobre o vazamento da prova, aliás, nome apropriadíssimo uma vez que; se já haviam reservas da parte de várias universidades federais em aceitar o enem como critério decisivo para o ingresso dos alunos, este vazamento só fez com que a confiança, que já era mínima, escorresse pelo cano uma vez por todas. Bem, e se tudo isso já não fosse suficiente, houve por parte das autoridades uma certa complacência, uma “minimilização” do que houve.
É claro que só a venda do gabarito da prova já é um absurdo, afinal de contas, o Enem é o “termômetro” da educação brasileira, é dependendo dos resultados obtidos nele que as escolas conseguem verba. Porém, a questão é que o Inep é um órgão que tem que se manter acima de qualquer suspeita, afinal é ele que coordena, aqui no Brasil, o exame de ciências do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), um programa internacional de avaliação comparada, que tem por objetivo produzir indicadores dos sistemas educacionais no mundo todo. Se a integridade do Inep passar a ser questionada, a posição do Brasil no ranking também pode ser. E o problema não é só posição, mas a integridade da imagem do país. Exagero? E como dizer que não é assim.
O Inep se saiu muito bem em suas questões-modelo, mas como modelo...
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O Besouro e o dragão.
Trilha: ok
Efeitos especiais: ok
Enredo: ok
Atores: ok (mas leia-se um ok trêmulo)
Enfim, o que mais quiser se acrescentar, no entanto:
Todas as características juntas? N/A
A trilha sonora, mas ainda me questiono sobre isso, foi estranha. Tá, foi Gil, tá… foi Nação Zumbi, mas senti um Q de rock que estava muito ao gosto norte-americano, que para o filme, tão brasileiro, não caiu bem.
As coisas em si, não foram bem casadas. Os efeitos especiais, tão aclamados, pesaram, caíram no excesso. Enfim, começarei do início. A história do Besouro merece (e já o é) um mito e foi para essa construção que o filme se propôs. O resgate do candomblé nas figuras dos orixás, se entrelaçou com o enredo de uma maneira maravilhosa. A cena mais bonita do filme é quando o Besouro olha para um sapo e vira o próprio sapo, faz um mergulho-iniciação, em uma construção perfeita da significado, que se dá pela imagem, recurso máximo do cinema.
Foi lindo.
No entanto, o voo do Besouro, uma metáfora de tanta coisa, podia ter sido trabalhada de outra forma. Senti falta de mais rodas de capoeiras, de mais passos, da dança e da luta, se era pra explorar alguma coisa que se explorasse àquilo que a Capoeira tem a oferecer e não O tigre e o Dragão, animais que nem existem no Brasil.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Ventania
Os galhos vergavam sob o vento. O breu se instalara assim que os ventos chegaram. A ventania percorria toda a propriedade, com força, agressividade e pressa. O vento corria como se estivesse atrasado. Talvez estivesse.
Os animais ofegantes, se amuavam, se esprimiam uns contra os outros. Nos olhos deles: o medo.
Os ventos uivavam como lobos nas estepes e a sensação de presságio era a mesma. Não se via nada, os troncos das árvores eram apenas silhuetas trêmulas. Apavoradas.
O vento castigava toda a vegetação com açoites. A mata verde-musgo empalidecia diante do sopro titânico, não se ouvia nem um canto de pássaro, nem mesmo o de alguma coruja agourenta.
O lampião, há muito apagado, balançava de uma lado a outro, como o badalo de algum sino de uma cadetral barroca.
Pela fresta da porta incidia uma luz tímida, amarelada, que parecia ter sido curtida pelo tempo, uma luz velha como uma papel surrado no assoalho da varanda.
Uma cadeira de vime, tão antiga quanto o próprio casarão, balançava embalando alguém que não se via, virada para a plantação parecia deixar aquele que estava sobre ela a par do estrago que era feito pelos ventos.
De dentro da casa ouvia-se o estalo da lenha trepidando no fogão, além disso… mais nada.