Subjugar vontades. Nada mais castrante que passar ao outro a vontade que é sua. Esperar o tempo. Esperar o despertar. Esperar, esperar e esperar. zZzZz. A sala de espera é o lugar onde esmagam testículos. Quebrantam luxúrias. Massacram a libido. A sala de espera é um sofá pastel com música ambiente. A sala de espera te lembra que você é um passivo – haja o que houver. A espera te põe de quatro e refresca sua memória sobre quem manda. A sala de espera pega o seu verbo querer e enfia numa revista de fofoca. A espera te joga na cara que não importa o quanto você queira ser fagulha, ela é geleira. A espera é uma musiquinha chata de transferência de chamada dizendo que você precisa ter autocontrole. Ela tem.
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terça-feira, 24 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Imersão
Saiu do banho enrolada na toalha, com uma toalha de rosto enxugava os cabelos encaracolados que caiam pelas costas. Pegou o controle do som e apertou play, Assassin ecoou pelo apartamento. Adorava o John Mayer. Assim que a introdução tocou, ela parou de enxugar os cabelos. Com a toalha apertada entre as duas mãos balançava a cabeça no ritmo da música, lentamente, lascivamente. Sentiu o chão ficar em outro plano enquanto o quarto rodava. Sentiu a toalha escorregar pelo seu corpo e repousar sobre seus pés.
A música invadia cada cômodo, objeto da casa, estilhaçava janelas, secava seu cabelo.
Deixou-se cair na cama e ficou escutando os últimos acordes.
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