A grande inquietação do filme é a metalinguagem. Discutir os limites da interpretação, do olhar, da figura do espectador, e do diretor. Quem interpreta, revive ou recria? Já não há um parâmetro seguro para determinar quem é a personagem e quem é o ator, mas mesmo o ator é ator ou personagem? É uma personagem que finge ser ator interpretando uma personagem real? No entanto como dizer real? Ser personagem não carrega em seu bojo a característica de ser ficção?
O documentário longe de trazer soluções, problematiza. E o que se vê é um diretor-maestro que quando se posiciona no centro do palco também vira personagem; o diretor Eduardo Coutinho é uma personagem de um diretor brasileiro chamado Eduardo Coutinho que está produzindo um documentário, é mais uma vez nos vemos às voltas com a metalinguagem de um documentário mostrar – fazendo – o que é fazer um documentário.
No filme há apenas projeções. Reflexos de personagens criados no momento da fala da pessoa física, denominada pessoa real. O diretor parece rir da concepção de eu-liríco quando faz a própria pessoa ser personagem de si mesma. Mas quem é o real, quem é o ortônimo? Mas o ortônimo não é também uma personagem?
O documentário cíclico termina com a cena de um auditório que se projeta de tal forma na tela que o que se tem é uma extensão do próprio auditório onde a plateia se encontra; e os espectadores se veem dentro da cena, personagens de si mesmos, personagens de um público.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Soneto do quem sou eu, que não diz nada sobre isso.
Em tempo, ou não, eu retirei o velho
texto copiado, de apresentação.
Não que deixara ele de ser digno,
apenas não me era mais benigno.
E agora esse novo, também em verso
faço-o para que, embora tergiverso,
meu visitante assim se entretenha,
com a mais bela arte do universo.
Não tenho a infinita pretensão
de igualar-me, ou perto chegar
d'aquele que me fez inspiração
ainda que com muita veneração
e na rima e métrica caprichar,
trago então à luz, esta aberração.
.:Gustavo:.
Em tempo, ou não, eu retirei o velho
texto copiado, de apresentação.
Não que deixara ele de ser digno,
apenas não me era mais benigno.
E agora esse novo, também em verso
faço-o para que, embora tergiverso,
meu visitante assim se entretenha,
com a mais bela arte do universo.
Não tenho a infinita pretensão
de igualar-me, ou perto chegar
d'aquele que me fez inspiração
ainda que com muita veneração
e na rima e métrica caprichar,
trago então à luz, esta aberração.
.:Gustavo:.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Entre linhas e posts
A vizinha do apartamento do andar de baixo já tinha ligado para o síndico 4 vezes! Não aguentava mais ouvir a gritaria que vinha do 216. Um inferno. Enquanto o casal do 216 se acusava, gritavam um com outro, esmurravam a parede e chutavam almofadas. Ainda não tinha partido pra porrada porque sobrara algum vestígio de respeito, mas estavam a beira disso.
Ela desenterrava as brigas dos primeiros meses de namoro, não havia frases que não começassem com "Você lembra aquela vez...?", e ele passava as mãos no cabelo nervoso, a ponto de arracar de si mesmo os cabelos da têmpora. Por fim ele disse que não dava mais, que a amava muito, mas que não era só de amor que se construia um relacionamento, que havia outros fatores...
_ O que foi? Agora você vai me dizer que eu não sou boa de cama, é isso?
_ Nossa! Como você é histérica, não entende nada nunca, não é?
_ Ah...agora sou burra? Não entendo nada?!
Tentava enxugar as lágrimas que escorriam pelo rosto.
_ Chega! É ínutil, vou pegar minhas coisas, tô indo embora. Vou pra casa da minha mãe, e acho melhor a gente não se falar por agora, é melhor esperar as coisas esfriarem.
_ Falou em frio é com você mesmo.
_ Sem sarcasmos, não vamos nos machucar mais.
Foi até a cômoda, pegou as roupas que mais usava, enfiou tudo na mochila de acampar, mais alguns pares de tênis, foi buscar a escova de dentes no banheiro. Ela vai atrás dele.
_ André, não faz assim, vamos conversar, a gente pode se acertar - tentou sorrir - afinal de contas, quem não briga? Não é mesmo?
Ele pega as últimas coisas, anda pelo apartamento para conferir se não esqueceu nada muito importante.
_ Tchau - beija-lhe a testa -, a gente pode ser feliz ainda. Mesmo que sozinhos, talvez apenas sozinhos.
Fecha a porta deixando a chave no aparador. Ela enconsta-se na porta, chora copiosamente, escorrega até o chão, fica lá por alguns minutos, horas talvez. Se levanta, pega um vinho que já estava aberto na geladeira, liga o note. Entra no Amor de papelão e passa um longo tempo lendo, enquanto acaba com a garrafa ao lado.
Com o rosto já seco, a queixo apoiado na mão, termina de ler o último post.
_ Não derramo nem mais uma lágrima, aquele canalha nunca me mereceu! Nunca escreveu um recadinho desses pra mim, nem em papelão, guardanapo, nem nada!
Procura o celular entre as almofadas.
_Alô? Carlos? É...faz tempo...
domingo, 20 de dezembro de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)
