terça-feira, 23 de setembro de 2014

11 coisas que eu aprendi no Startup Weekend Ribeirão que valem pra vida


Este post foge um pouco (muito) da temática deste blog, mas achei a experiência bem legal e resolvi compartilhar aqui com vocês.
O Startup Weekend é o maior evento de startup do mundo e eu tive a oportunidade de participar da edição em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
Separei aqui 11 tópicos que aprendi (ou reforcei melhor) no evento.



1 - Primeiro você precisa ter o problema, depois a solução.

Soa meio óbvio, mas não é. A maioria das pessoas parte da solução/ideia: “vou fazer uma aplicativo que mostra como fazer omelete porque eu amo omelete e não sei variar. Conversei com 2 primos meus e eles disseram o mesmo”.  Depois disso, procuram como encaixar as coisas, como encontrar mais pessoas, como a ideia virar negócio. O problema maior disso? Você se agarra à ideia. Você passa horas e horas tentando convencer as pessoas sobre a maravilha da omelete e de um app pra isso, sendo que se você se agarra ao problema, “pessoas querem variar omelete e não sabem”, poderia ficar muito mais aberto a encontrar várias soluções, poderia chegar a conclusão que o melhor mesmo é fazer um canal no youtube com a Palmirinha, por exemplo. Você não tem compromisso com a sua ideia, você tem compromisso com o problema, por isso ele é a primeira coisa que temos que validar.

2 - Você ser um bom argumentador não faz sua ideia ser mais válida.

Você conseguir argumentar sobre a sua ideia não quer dizer necessariamente que ela seja viável. Até porque, muitas vezes temos o hábito de ir mudando o escopo de acordo com a pergunta:
A – Minha ideia é vender salada de frutas com banana , laranja e morango.
Mentor: Mas como você vai fazer para ter morango o ano inteiro sendo que ele tem época específica?
A – Quem disse que a salada de fruta tem que ter morango?
Mentor: Você disse que teria morangos, mas ok, como você vai fazer para refrigerar a salada?
A – Eu vou vender em temperatura ambiente.
Mentor: Mas as pessoas vão querer pagar uma salada de frutas quente de laranja e banana?
A – Quem disse que eu vou vender? Eu vou dar.
Você pode ter deixado o mentor sem resposta, mas você também ficou sem negócio.

3 - O problema existir não quer dizer que as pessoas realmente querem solucionar



Você entendeu a ideia. O quadrinho é autoexplicativo (apesar de ser simplista em dizer como emagrecer). Ter um problema não quer dizer necessariamente que as pessoas estejam dispostas a fazer algo efetivo para solucioná-lo. Tirar dinheirinho do bolso é ainda mais complicado que fazer uma caminhada.

4 - Todo mundo tem ideia, muitos têm uma ideia boa, alguns têm idéias que rendem dinheiro.

No começo do evento, na sexta, você via vários grupos empolgados gritando o nome da equipe etc. Às 8h30 da manhã, no sábado, 13 entre 15 grupos confidenciavam entre si com sorrisinhos mal contidos: “aaaaah manoooo, a gente vai ganhar saporra”. Às 13h, boa parte estava pensando em abrir uma cachaçaria para solucionar o problema da necessidade de pinga para afogar as mágoas dos participantes ali.
No domingo, havia um revezamento para chorar no banheiro escondido, deitado em posição fetal.



Não acredite tanto no meu drama. Mas a oscilação de sentimentos foi essa, de euforia a achar a ideia ruim, depois de achar a ideia boa, depois de muito ruim, depois de excelente, depois de péssima e por fim ajustar sabendo que havia muito para desenvolver na segunda em diante. Acredito que todos clarearam as ideias e entenderam o processo para se transformar ideia em negócio. Foi um fim de semana mais para fazer perguntas que para concretar respostas.

5 - Se você não consegue vender a sua ideia para a sua equipe, não conseguirá vender para um investidor.

Você precisa responder a todas as perguntas da sua equipe. É simples: se você não consegue responder as perguntas da sua equipe, quanto mais dos mentores e/ou investidores.
Parta sempre da premissa que a sua ideia pode ter furos e não que os membros da sua equipe são tapados e não conseguem ver a genialidade da sua ideia. Isso te poupa tempo.

 6 - Uma ideia é muita coisa sim.
Sabe aquela coisa de “uma ideia no papel não é nada”? Então, no papel pode não ser nada, mas dita a alguém, pode ser muita coisa. Isso funciona para o bem e para o mal. Para o bem é o que fazemos no Startup Weekend, você conta sua ideia e um grupo de pessoas faz com que ela seja alguma coisa. Para o mal é você contar a ideia para alguém e ele executar sim – sem você. Nunca igual a você, mas talvez até melhor (risos nervosos aqui). A segurança que você pode ter é a seguinte: alguém pode tentar executar a sua ideia mas não desenvolve-la, dar sequência, porque é você quem teve a ideia e consegue visualizar as soluções para os problemas que essa solução levanta.



7 - Público-alvo funciona desde sempre.

Saiba para quem você está vendendo e foque nisso. Você quer vender banana, tem gente que não come banana, você pode:  a) focar no público que já come banana e oferecer a mais bonita, saborosa e deliciosa pamonha banana que eles já comeram, ou b) criar uma banana com gosto de amora e aparência de morango.
Quando perguntarem “e tal pessoa que não faz isso que você está querendo?” não tenha medo de responder: então não é meu público.

8 - Você precisa MESMO de um designer

Pode brigar comigo, mesmo, mas os grupos que tinham uma apresentação bonita e harmoniosa já imprimiam uma outra sensação nos jurados e no público.
Se aparência não importasse, não existiria o “The Voice”: um programa que pra conseguir julgar apenas a voz, o jurado tem que ficar de costas.

9 - Você precisa entender seu produto e ser realmente bom em lidar com ansiedade em público.
       
Sei que vai soar duro, e é mesmo. Mas o momento de apresentar o seu negócio não é a hora de tapinha nas costas e nem hora de trabalhar a auto-estima de alguém da equipe. Você precisa escolher quem é mais seguro para falar em público; quem realmente está entusiasmado com a ideia; quem praticamente saiu do evento e foi tatuar o nome do projeto no pescoço.
Passei de projeto em projeto e sabia do que se tratavam as ideias, e praticamente não as reconheci quando apresentadas na hora do pitch por boa parte dos grupos.
Como empresa, essa é uma decisão que vocês têm que tomar: a gente prefere enviar alguém para apresentar que tem mais chances de gerar interesse no negócio ou preferimos enviar alguém porque se não ele vai ficar #xatiado?
Deixe-me esclarecer, esse alguém vai ficar muito mais chateado se a ideia dele nunca gerar dinheiro.

Fonte: tallers mania


10 -  Se você está reparando na comida, você não está focado o bastante.

Já fui em muitos eventos, acredito que na maioria (tipo, 99%), as pessoas reclamavam de algum item: da internet, do coffee, do lugar, do som, do tempo, do ar-condicionado (ou da falta dele) etc. Neste fim de semana, eu não ouvi ninguém reclamar de nada, porque o foco era desenvolver uma startup. A pessoa ia, comia e voltava a trabalhar. O evento estava bem organizado sim, mas se fossem outras pessoas, com menos foco, poderiam arrumar algumas coisas para criticar, o pessoal (mais de 100 pessoas) estava tão pilhado que não pensou em mais nada. Se você está com tempo pra reparar nas plantinhas atrás do prédio, você está perdendo tempo.

11 - Citar essa frase do Henry Ford é clichê, mas eu vou.

“Se eu tivesse perguntado a meus clientes o que queriam, teriam dito um cavalo mais rápido” Henry Ford (adaptado).
Ter equilíbrio entre saber o que é inovação e o que é teimosia é um desafio IMENSO. Mas o que Sr. Ford falou é verdade, muitas vezes você pode propor uma solução que gere ‘desconfiança’, mas a publicidade também está aí para isso, para gerar desejo, o marketing está aí para demonstrar como usar.
Algumas ideias apresentadas no picth eram melhores na forma original, mas pela dificuldade em validar em um fim de semana, por exemplo, acabaram virando um cavalo mais rápido.

E você, já participou de um evento como esse? Vai participar ou é empreendedor? Deixe seu comentário aí!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Já te falei como gosto de um texto bem escrito?

Como eu gosto de um texto bem escrito. Na hora, vou lendo e vou vendo alguém falando, depois, continuando a leitura, se é bem escrito de verdade, fico imaginando algum ator bonzão lendo, fazendo um monólogo tipo seriado na GNT. Quando é voz masculina, imagino o Selton Mello interpretando, daí se o personagem não cai tão bem, eu vou trocando e, na minha cabeça, enquanto eu vou lendo, vou fazendo um teste de ator pro texto.

O Selton Mello rindo de mim - por dentro.
Pensei nisso enquanto estava lendo um texto de um tal de Gian Lucca (ô, Gian, prazerão te conhecer) falando sobre casamento e tal e me peguei fazendo isso. Isso, essa coisa de imaginar o cara - no caso o Gian -, falando, e depois fiquei trocando os atores conhecidos tentando ver qual ia falar melhor.

Isso acontece sempre comigo. A última vez, antes desse texto do Gian, foi quando li o livro Fim, da Fernanda Torres. Puta livro. Comecei a ler e imaginei ela fazendo um monólogo engraçado, como se fosse a Fátima do Tapas e Beijos me contando a história. Desculpa, mas não vou usar estória não, aliás, ainda se usa fazer essa diferença? Mas enfim, como se fosse a Fátima, né? Só que a história é muito boa e daí eu já começo a criar a personagem e ela passa a me contar a história e eu consigo visualizar a coisa toda certinha e daí já não estou mais lendo filme e sim assistindo algum seriado curto daqueles que a Globo costuma fazer em janeiro. Bom, a verdade é que eu gostei muito do primeiro capítulo e não tanto dos outros, mas ainda classifico como puta livro. Como tinha dito antes. Esse antes é redundante, se for ver, por se eu tinha, só por ser antes.

Outra coisa interessante, e aqui eu presumo que ficar testando atores na minha cabeça pro texto que to lendo seja interessante, é perceber como só pensamos nas palavras quando a gente está escrevendo. Tipo. Escrevi prazerão ali em cima porque o chrome me corrigiu, se não eu ia escrever prazerzão. Sei lá. Soa falso esse prazerão e tenho certeza que to tendo menos prazer com ele do que com o prazerzão.

Eu não sei se você é assim. É? De ficar criando personagem e depois arranjando um ator pra ele e também de ficar pensando que tem hora, e são muitas, que a língua oral dá um banho na escrita. Vai ver você não pensa nada disso e taí balançando a cabeça em negativa. Se perguntando porque leu até aqui. Espero que não. Quer dizer, qualquer coisa você escreve aí no comentário: Dai, para de falar merda. Eu não prometo que vou parar de falar. Na boa, já vou avisar que não vou, mas pelo menos eu posso ficar pensativa, lembrando, nossa, o arroba joao ferraz disse que to falando merda, melhor ficar mais crítica e menos vendo pessoas fazendo monólogo na minha mente.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Gostar de alguma forma não é o mesmo que gostar do jeito que o outro precisa.

Já falei por aqui que o amor não basta. E como já dizia Leoni, 'eu to falando de amor e não do que você pensa".


Espertos eram os gregos que dividiam o amor em 'eros, filos e ágape'. Não sei se eles sabiam interpretar também certinho qual era qual na relação, mas já deixavam claro na língua que existem vários tipos de amor.
Tem gente que me fala "a gente não é mais feliz, a gente se perdeu um do outro, sabe? Mas eu tenho por ele um bem-querer..".
Gente, mas queria sentir o que? Ódio?
Gostar de alguma forma não é o mesmo que gostar do jeito que o outro precisa. Nem do jeito que vocês merecem. C'est la vie.
Às vezes, ficar é prova de amor. Às vezes, é deixar ir.

domingo, 18 de maio de 2014

Não se acostume com o armário azul.

Moro em uma casa alugada. De brinde veio um armário azul Itatiaia da época que isso era moda. Se você tem mais ou menos 30 anos, como eu, com certeza viu um desses na casa da sua avó, talvez vermelho ou bege quase marrom. Se for mais velho, a sua mãe tinha um. Se for mais novo, busque no google (que é provavelmente o que você faz para todas as coisas) ou veja as fotos de família com todos sentados em bancos de madeira, com o armário ao fundo, usando o corte pigmaleão com óculos de tartaruga.

Pois bem. Hoje alguns chamam de vintage. Mas não é, vintage é algo que foi criado para parecer antigo, mas é novo. Mas, principalmente, o vintage foi pensado para custar bem mais caro do que o antigo e também que o novo. Enfim.

O fato é que o armário não é vintage, não. Ele é velho e manchado. É de um azul calcinha que eu não gosto e não queria. E, além de tudo, destoa dos meus móveis. Sim, os que eu trouxe e quis e continuo querendo aliás.

A locatária foi inflexível: não deixo tirar o armário.

E ele continua aqui em meio aos móveis da cozinha misto marrom e creme, feitos de madeira. E nos olha desafiador: não saio mesmo, qual vai ser?

E acaba não sendo nada. Agora uso para armazenar coisas do mercado, no momento: meio pacote de arroz branco, meio de feijão, meio pacote de arroz integral, um miojo, dois pacotes de molho de tomate, um macarrão parafuso, um pote de granola, 2 pacotes de farinha de trigo porque eu esqueci que já tinha um e comprei outro, um pacote de farinha de rosca, meio de fubá (uma pausa pro fubá que é muito amor), 2 pacotes de seleta de legumes, um Toddy, um pacote quase cheio de café e duas caixinhas de chá: uma de canela e maçã e outra de hortelã. E isso é tudo.

Há duas gavetas no armário. Uma eu usei para colocar contas e outra para pano de prato. Nos espaços que sobraram eu coloquei tudo o que é lixo mas que a gente não chama assim porque a gente fala que uma hora vai usar. No fim, o armário, pode-se dizer oficialmente, está sendo usado.

Mas não devia.

Eu estava fazendo café e olhando para o armário azul e ele simplesmente não encaixa com todo o resto. Ele está em uma parede que na verdade não deveria ser usada, porque é do corredor e fica em frente à porta do quarto. Ele não faz parte do contexto. E só fato de ser da cor azul calcinha deveria tornar redundante a defesa do porquê ele não devia estar ali, não é?
E colocando café em minha xícara eu pensei: quantos armários azuis a gente não tem em nossa vida?

Coisas que não deveriam estar lá, que não tem mais a ver com o nosso jeito, com o que somos ou gostamos mas nós arrastamos por aí? Quantas coisas nós arrumamos desculpas ou/e justificativas para mantê-las ali sendo que não valem nem o tempo de limpar poeira. Que já não valem mais o nosso empenho, enfim.

E mais. Tanto coisas quanto pessoas podem se arrumar melhor com outras, sabe? Tenho certeza que alguém iria amar ter esse armário. Gente que precisa, até. Gente que já teria pegado o danado e passado um tecido bonito nele e estaria a coisa mais fofa do universo e tudo mais. Ou que gosta da cor azul calcinha porque lembra a bisavó que fazia bolinhos de milho toda às terças-feiras às 15h.

Pensei direitinho nesse armário e no fim dele. Vou pensar também nos outros armários azuis que ando mantendo e também em como dar fins neles.

Você pode experimentar também.

Aí o beleza, ó:









quarta-feira, 12 de março de 2014

I was born to love

Deixou-se cair nas almofadas amarelas espalhadas no tapete pistache. Os cabelos ruivos abraçados por um fone grande, que cobria, e com muita sobra, as orelhas enfeitadas por um brinco de pérola presente do pai.


O cheiro de molho de tomate caseiro, que ela mesma fez com um bom punhado de manjericão e tomatinhos frescos, enchia a casa de apetite. O sol espreguiçava pra dentro da sacada do apê e espaçoso, ocupava as  as frestas que de tão dadas, se deixam ocupar sem reclamar.

Ouvia I was born to love e acompanhava o ritmo com a colher de pau que tinha levado para a sala distraída. Os pés descalços iam de um lado para o outro dando pequenos toques duplos toda vez que chegavam em um dos lados. O vestido muito leve dançava sem esforço.

O forno apitou na cozinha ao mesmo tempo que o interfone na sala. Boas coisas sempre chegam com algum aviso.

(trilha do post: I was born to love da Hawa)

 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Bethânia

Ê, Bethânia, eu sei que só te procuro quando preciso, a gente não tem uma relação despretensiosa, não nos encontramos quando tá tudo bem, quando as coisas estão fluindo e o riso aparece fácil. Não.

É só quando anoitece em lua nova o peito e sinto que os olhos vão anuviar que te procuro. Que a memória resgata teu nome entre os escombros das expectativas não cumpridas e sussurra em seu chamado.

E você vem, vem e me olha com esse sorriso na cara de quem já entendeu tudo e não precisa de explicação e inunda tudo com a sua voz e me desafoga desse momento.

             

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Alta


Achei que o fato de não ter escolhido uma faculdade na área de saúde teria dado a dica de que não gosto de hospitais. Não deu.
Se eu gostasse dessa frieza, desse branco sem graça ou a falta de música, eu teria feito enfermagem. Ou medicina. Medicina não porque eu não passaria no vestibular e nem teria dinheiro para pagar.


- Senhor?

A enfermeira me olha.

- Não tenho dinheiro para pagar. Deus do céu! Sabe quantos pacotes da CVC eu poderia pagar com essa grana que o hospital está me cobrando? Dava para ir de cruzeiro pra Veneza, Grécia e Turquia; comer pratos exóticos e ainda voltar apaixonado e marcar que estou de relacionamento sério e que o amor é tudo nessa vida.

A atendente me olhou com cara de indiferença e eu já ia dar um show quando me lembrei que quem ia pagar era tia Judith e se não gastasse com isso, não seria com o meu cruzeiro também.

Até para sofrer a gente tem que pagar. Já pensou que o hospital é a balada da desgraça? Você fica um tempo, bebe um pouco da dor e fica à mercê dos médicos e enfermeiros, que são os garçons, daí Deus, que é uma espécie de bafômetro, decide quando você já bebeu demais e te manda pra casa. A dele ou a sua.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Para 2014

Finalmente, o novo ano.
Particularmente, adoro a mudança de novo porque ela me faz pensar que a gente pode recomeçar, pegar um caminho diferente, zerar a coisa toda.

Eu gosto de mudanças. Gosto de PODER mudar. Estou com muita expectativa para esse ano, não sobre coisas que posso ter, mas sim sobre como posso SER melhor do que venho sendo, mais ampla, mais leve, mais feliz. Sobre como posso ter mais sentido na minha vida e fazer com que vidas ao meu redor tenham mais sentido também. Como posso esperar mais de mim mesma.

O excesso tem me afogado - em vários sentidos. A gente fica submersa sob uma infinidade de coisas inúteis e sem sentido. Quero conseguir balancear o que espero de mim mesma com o que os outros esperam de mim.


Tem tanta coisa a mudar, tantas sobras para tirar e mal posso esperar. Que a gente tenha força e persistência para fazer um ano diferente.

O que desejo a todos as pessoas é que esperem mais de si mesmas.
Que 2014 seja um ano de muitas surpresas boas.

Trilha sonora do momento (clique na imagem para ouvir)



terça-feira, 1 de outubro de 2013

As mulheres não são vacas

Que as mulheres não são vacas deveria ser uma obviedade, mas não é, e mesmo querendo praticar a sororidade, eu vou ter que me posicionar em relação ao texto da Tati Bernardi publicado na revista Alfa.


No texto Mulheres se odeiam a Tati Bernardi, cujas poesias e textos eu apreciava até então, faz um desserviço às mulheres tão grande, que tive que trazer para cá um debate que começamos no grupo do blog Meninas Improváveis.

A Tati Bernardi não poderia estar mais errada nesse texto. Isso o que ela falou acontece? Acontece. Acontece porque nós, mulheres, somos criadas em uma cultura machista, esmagadas desde que nascemos por causa de nossa aparência, somos levadas a acreditar que é isso que importa e só por isso nos comparamos, porque acreditamos que nosso poder, que a relação de poder das mulheres, se dá pelas que são mais bonitas. Aquela que é mais atrativa aos olhos (machistas, da beleza que serve ao homem, sobretudo) é a que tem mais poder e por isso deveríamos derrubá-la pra que então tomemos o lugar de poder que ela está. Acreditamos que a jornalista está certa porque o machismo injeta em nós muito cedo um líquido corrosivo que afeta para sempre a nossa peça de autoestima.

"Mas eu vou contar o que é realmente fundamental: roubar a promoção ou o homem da mulher mais bonita da empresa. Nós estudamos, fazemos terapia, amadurecemos, evoluímos… mas seremos sempre vacas. Mulheres são vacas".

Assentir com tamanha estupidez desse texto que é concentrada nesse trecho é retroceder mil anos. O que é fundamental é roubar um homem? Roubar a promoção? O trecho em si é tão canalha que eu nem preciso mencionar novamente a parte da mulher mais bonita, basta mencionar o "roubar" que ela diz, porque quem rouba pega algo que não é seu por direito, ou seja, sem merecimento.

Nós trabalhamos, estudamos, resistimos à todas as "obrigações" que nos é imposta só porque somos mulheres para vir alguém e dizer que o que é o que fundamental na vida de uma mulher é passar a perna em outra?

Ela diz que questões sérias como a mulher ganhar menos que o homem e sofrer assédio no trabalho não é tão importante (ou não tem importância nenhuma) perto da mulher ao lado ter um corpo mais bonito que o dela. Sério?

Não acredito que todas as mulheres sejam assim, nem que a maioria seja. O que a maioria das mulheres sofrem é com a autoestima, se comparam até, mas querer que outra simplesmente se ferre é outra coisa.

Eu não disse que ela não pode dizer e não pode pensar assim, só que ela não deveria, porque como mulher, que talvez soubesse o mau que o machismo causa e a violência cotidiana sofrida pelas mulheres, assumir como voz única e falar em nome das mulheres um discurso tão machista é sim um desserviço, ainda mais em uma revista cujo público-alvo são homens. É mais um pretexto para que muitos falem: "viu? elas se odeiam e são 'tudo vaca" mesmo.

As mulheres podem quase tudo, agora, o que a mulher não pode, assim como o homem também não, é julgar alguém pela aparência e querer o desqualificar por isso, porque é bem isso que se está fazendo ao dizer que é normal querer tomar o lugar da outra só porque acha que ela é mais bonita e são assim que as coisas funcionam.

A colunista é uma ~formadora de opinião~ e deveria sim ter mais cuidado com o que fala, porque sabe que seu alcance é maior, porque não sabe o tipo de filtro que vão fazer e nem que contexto seu texto pode tomar. Poderia dar o nome disso de adequação linguística simplesmente, mas chamo também de empatia. Ela até pode achar que o problema maior da vida dela é a mulher mais bonita que senta ao lado e não o assédio sofrido, o salário a menos, mas não deveria falar em nome de todas.

E se você, mulher, leu o texto dela e pensou "é verdade, eu também me sinto assim", saiba que isso não precisa ser dessa forma, que você precisa refletir sobre o porquê desses sentimentos e visão de mundo e entender que nós, mulheres, devemos nos ver como pares, como sujeitas à mesma cultura machista e que devemos somar e não concorrer entre nós. Nós não devemos achar normal sermos mantenedoras do machismo.

Obs.: Procurem na internet sobre "sororidade" para entender melhor o que significa, mas a Marina fez um texto bem legal e citou "solidariedade feminina" e eu acho que é bem isso.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Mudanças

Quando a gente sai de uma casa, mesmo organizando bem a mudança, mesmo tentando se precaver, sempre deixa alguma coisa pra trás, muitas vezes é deixado pra trás por causa da correria, por causa da movimentação, porque a coisa fica meio escondida. Outras vezes fica pra trás porque você acha que aquilo não serve mais ou não cabe na casa nova.


E eu sempre fico pensando o que pensam as pessoas que encontram um pouco de você deixado pra trás? Um prendedor que ficou, uma bola da infância, ganchinhos que demonstram a maneira como mais ou menos você organizava as coisas, de repente até um livro que você deixou fora das caixas porque queria terminar de ler.

E na vida também é assim, a gente deixa coisas pra trás, fragmentos nossos, coisas que farão as pessoas lembrarem de nós vez ou outra. E tanto em um caso quanto outro, as pessoas podem escolher ver as nossas marcas como algo a descartar ou algo a olhar mais de perto por mais tempo.







sábado, 27 de julho de 2013

Quem vai, é porque precisa


Poucas pessoas entendem que quem vai é porque precisa. Infelizmente, quem fica, na maioria das vezes é porque não pode ir e por isso sofre.

E às vezes quem vai é tão injustiçado, mas nossa presença acabaria com o outro, aniquilaria a sua presença, aquilo que ele é.

Quantas vezes a gente sabe que a coisa acabou mas não temos forças pra ir além, quem vai, só vai porque precisa mesmo, não se vê mais naquela relação.

E se a gente tivesse força pra por fim ao que já terminou, como seria? Quanta dor seria evitada? Quantas traições? Quantos 'amor-próprio' seriam poupados?




sábado, 9 de março de 2013

Tibério Azul e Seu Chico

Depois de 4 séculos sem postar, volto ao blog com indicação de música.

Há um tempo eu conheci Tibério Azul, gostei de cara pelo ritmo, pelas letras, e pelo sotaque, que eu acho simplesmente lindo e artístico por si só.

A minha preferida dele é essa aqui, ó:


Adoro esse comecinho no embalo do jazz parecendo vir direto de uma vitrola.

Então fui perguntar para o meu querido, e por vezes sumido, José Leão se ele conhecia o dito, e ele diz que eu era uma boba desatualizada porque o Tibério já estava em cena em Recife há pelo menos 5 ou 6 anos e além disso disse que ele tinha também duas bandas (pelo o que eu entendi, paralelas à sua carreira solo), a Banda Seu Chico e a Mula Manca e Fabulosa Figura. 

Então nesse momento: PARA TUDO   *-*

Na Banda Seu Chico eles cantam música do nosso muso-todo-poderoso Chico Buarque, já pensou que lindeza? O site deles: http://www.seuchico.com/

Olha, ouve e degusta que belezinha (a Não Sonho Mais é demais)


Aliás, vai ter show deles no Sesc Consolação dia 30/03 e a tia aqui estará lá, bora?

Retomando, aí se já não bastasse tuuudo isso, ainda tem a Mula Manca e Fabulosa Figura. Se amarra nesse sambinha com alguma coisa que eu não sei nomear:


Eu adoro o Grooveshark e ouço tudo por lá, então, segue os links:

Tibério Azul (no site dele dá pra baixar o álbum) - Bandarra - clique aqui
Banda Seu Chico - clique aqui.
Mula Manca e Fabulosa Figura - clique aqui

Acho bom até!




terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sempre dá pra fazer melhor


O que eu acredito em relação à vida é que dá pra fazer mais e melhor. Quando era criança lia biografias, ou mesmo ficção e me inspirava na vida daquelas pessoas, "se elas conseguem, eu também posso conseguir", era o que eu pensava. E esse conseguir sempre foi no sentindo de que se as pessoas aprendem, se elas conseguem ser pessoas mais completas: felizes, inteligente, engraçadas, etc, eu também posso ser, porque nada me distingue dessas outras pessoas (biologicamente falando).


Esse considerar-se igual para buscar aprender mais, também serviu para entender as dificuldades e fraquezas das outras pessoas, é saber que eu poderia estar passando por aquilo que a outra pessoa está passando, e, ao se por no lugar dela, procurar soluções e não julgamentos.

Esse princípio de alteridade não está pautado na falta de senso crítico ou no "aceitar qualquer coisa", mas sim no embate que traz a reflexão e que, quase sempre, chega a conclusão que as diferenças estão embasadas nas visões de mundo e cultura. Contrastar para se identificar e não contrastar para se afastar.

Vejo que isso é possível. Existem milhares de pessoas inspirando outras, gerando a reflexão, o debate, ecoando esse discurso de "poderia ser você, e agora, o que vai fazer?", o sentindo na [minha] vida é fazer parte desse grupo que inspira pra mudar.


E por quê a empatia através da experiência? Porque só através da vivência que alguém pode se aproximar do outro. Falar da "fome na África"  é algo muito distante, mas se eu conseguir trazer esse discurso para perto, traçar relações, estabelecer provocações que despertem as pessoas da rotina e vejam que há muita coisa fora do dia-a-dia que ela vive, talvez eu (nós) consiga provocar mudanças.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Quem ama tem medo?

Por que a gente tem medo de escolhas? Por que pegamos uma trilha e olhamos a outra? Por que tanto medo do agora mas também do para sempre? Por que tanto medo de abandonar? De dizer nunca mais? Por que? Por que a gente é medroso assim? Por que a certeza se esvai feito um sopro? Por que tanto medo do pegar? Por que tanto medo do soltar? Por que a gente tem medo de voltar? Medo de ir? Medo de ficar? 
Medo demais de não ter como voltar. Por que a gente tem meda da presença? E medo da distância? Medo de saber? Medo de errar? Medo de ter? Medo de dar? Medo do que há por vir? Medo do que está para acabar?

Estou com medo, me abraça.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sobre o que não se fala

Maria Ana - 52 anos

Chorava em silêncio todas as vezes que o marido bêbado chegava em casa e levantava sua camisola e a forçava sussurrando em seu ouvido sem parar: é isso que uma esposa deve ao seu marido.

Luiza - 21 anos

Comemorou sua primeira promoção no trabalho com três amigas num louge tomando exatamente 3 tequilas e 4 chopps, talvez por isso tenha optado em ir a pé para o ponto de taxi que ficava há 3 quadras de onde estava. Só tarde demais ela vai perceber que passos a seguiam, a última frase que se lembra antes que sua cabeça fosse batida na parede de um beco foi "eu vi o jeito que você me olhava no bar, vadia, eu sei do que você gosta e vou te dar, sua puta". Ela não tinha ideia do que ele falava.

Eliza - 13 anos

Sentia dificuldade de se encaixar, era difícil ser o máximo que podia para ser aceita. Suas amigas todas já tinham beijado e transado e achavam que ela era muito careta, muito retardadinha. Tá esperando o que? perguntavam para ela toda a vez que Lucas, do último ano, falava que era ela era uma gostosa. Um dia mentiu em casa que ia estudar e foi para a casa dele. Transaram na cama da mãe de Lucas e ela só pensava enquanto segurava com as duas mãos suadas o lençol e os olhos bem apertados: "Por que eu não me sinto melhor?".

Jéssica - 5 anos

Gritou de dor quando sua mãe enfiou metade de um cenoura na 'florzinha' dela. Sua mãe não queria fazer dodói nela, ela sabia porque depois sua mãe a abraçou bem forte cantando aquela música de ninar, exatamente como fez nas tantas outras vezes só que com outros objetos, até que enfim se matasse aos 15 anos. Vomitou todas as vezes que via a cor laranja até então.

Bruna - 17 anos

Acordou cedo e foi para o seu primeiro dia de academia, marcou no calendário a data prazo para que perdesse os 27 quilos que queria. Que diziam que ela precisava para ficar bem. À noite foi na festa de aniversário da Laurinha. Era quase no fim da festa quando um cara se aproximou puxando ela pelo braço e passando a mão nela enquanto seus amigos a distância viam e riam. Tentou beijá-la mas ela se recusou. Ele então gritou com ela cuspindo: você deveria agradecer, sua gorda, quando uma ridícula como você vai beijar um cara como eu?



Daniela - 30 anos

Acordou ainda tonta, o olho inchado, sem entender onde estava. Ainda ficou deitada no tapete da sala muito tempo tentando se situar. Lembrou vagamente de enfiar a chave na portão e um cara surgir de trás da árvore e empurrá-la para dentro. Foi se lembrando. Conseguiu se levantar e foi cambaleando para o banheiro. Tirou o resto da blusa rasgada que ainda estava presa na cintura, a única peça de roupa no corpo. Se esfregou sem parar embaixo do chuveiro enquanto o sangue escorria entre as pernas.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Beleza não é relativa - na prática

Às vezes eu lia nos textos dos blogs Biscate Social Clube ou as Blogueiras Feministas entre outros, sobre como ainda hoje a mulher tem que se submeter aos ideais masculinos, que ainda hoje o corpo feminino nada mais é que um objeto de desejo para o homem e como tanto, tem que ter o 'design' que o homem quer, mas eu não queria acreditar que era bem assim mesmo (para muitos mas não para todos).


Essa discussão ganhou mais destaque recentemente por causa da Marcha das Vadias e pelos protestos, por exemplo o da Ucrânia, que as mulheres exibiam seus seios. Muitos julgam a causa desnecessária afinal, dizem, a mulher já alcançou várias coisas e "anda até pior que os homens". Como se a perda de parâmetros demonstrasse independência e maturidade sexual. E claro, não é dessa maneira que se faz um protesto (sim, porque exibir o corpo sem fins comerciais não podchi).

Acontece que entrei num embate com uma pessoa que gosto muito, inclusive, e tive o desprazer de me deparar com o posicionamento que "a mulher tem que se cuidar" porque se não ela vai ficar só com o resto e ela nem pode achar que vai encontrar algo melhor porque nenhum homem quer uma "mulher desleixada". E é assim que a vida funciona, os homens são assim, foi o que ele me disse.

Atenção, é preciso classificar esse "desleixada".

Desleixada é toda mulher que não está nos moldes do corpo de uma Panicat (apesar que eles são modestos, não precisa ser tanto, se não tiver barriga e tiver pernão, bundão e peitão está bom, não precisa ser tããão definida quando uma Panicat). Desleixada é uma mulher que não usa roupas sensuais, poxa, um decotezinho não faz mal a ninguém. Uma roupa bem legal pra te deixar como cara de mulherão, sabe? tipo 'cavala'  e não uma calça jeans e um tênis. Deus os livre das mulheres que usam allstars.

E a maioria dos homens (não todos) é assim e é por isso que a Marcha das Vadias são ainda necessárias, por isso que a mulher ainda tem que sair na rua semi-nua e dizer: esse corpo é meu e não seu, eu não fui criada para o seu prazer.

Porque isso eles deixam e é certo

Isso eles não deixam e é errado 


E não é que em pleno século XXI eu descubro que é uma ousadia a mulher acreditar que não tem a função de um frango no forno para despertar apetites e por fim ser pega e comida?


Não, eu não sou o banquete para os olhos de nenhum homem, não quero ser, eu não preciso ser, eu não tenho que ser.

A beleza tem que ser relativa sim! Nao estou defendendo que a mulher pese 200 quilos, não escove os dentes e nem penteie o cabelo e saia por aí achando que "quem quiser me amar tem que me amar como sou", é preciso se estar bem, gostar de si mesma; padrões sempre existiram, mas é preciso que não se desqualifique, que se inferiorize, eu nem falo em tolerância de "apesar de tudo, vou aceitá-la", porque isso é pouco demais, eu falo de entender que existem vários tipos de pessoas, corpos, cabelos, cores, olhos, estilos e que há beleza em cada tipo deles.

Porque esse moedor de autoestima tem que acabar:


Texto postado anteriormente em Meninas Improváveis


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Nara

Sentadas na sala, tocava o playlist de sempre: a mescla entre Los Hermanos, Raul Seixas e Cazuza.

Dai: - Você não acha uma besteira as pessoas falarem que nasceram na época errada?
Nara: - Como assim?
Dai: - Essa coisa de, por exemplo, ouvir música da década de 80 e achar que deveria ter nascido nessa época? Sei lá, acho que a gente pelo menos nasce na época que tem que nascer. Nascer 20 anos atrasado é síndrome de inglês.


Riem.

Nara- Ah, Dai, acho que é uma questão de pertencimento. Não é que as pessoas acham que seriam mais felizes nascendo em outra época, mas pelo menos acham que partilhariam mais dos valores mais partilhados, entende?
Dai: - Acho que sim.

Ambas tomam o vinho barato que dividiram em copos que eram embalagem de requeijão.

Nara: - Você sabe assoviar? Eu queria saber assoviar a introdução da música Doce Solidão, mas não consigo.

Fala distraída enquanto olha a gradação de roxo que o balançar do vinho faz no copo.

Dai: - Queria tomar uma tequila.

Olha para Nara e diz: Você devia ler Travessuras de uma menina má. Tem a ver com você. "Deve ter a ver com todas nós - gente como a gente", pensa Nara.

Se olham e entendem. Você vai gostar, diz Dai.


Dai: - Lembra daquele cara que te falei? Acho que tô conseguindo parar de pensar nele.
Nara: - Mesmo? Por quê?
Dai: - Porque percebi que estava sendo arrogante.
Nara: - Como arrogante se você sempre se entregou?
Dai: - Eu percebi que sempre aceito o pior e melhor de todos, porque acho que é isso que a gente é: um apanhado de coisas incompatíveis. Daí acho que o erro, o desvio, a incapacidade, tudo faz parte, porque somos falhos mesmo, mas também somos assertivos. E assim que é bonito. Porque por mais que a gente ache que não, o amor é um "amar apesar de".
Nara: - Mas e aí?
Dai: - E aí que eu estava sendo egoísta em achar que tudo bem se a outra pessoa não entendesse isso que eu entendo. Que não soubesse me amar 'apesar de' e 'exatamente por isso'. Um puta egoísmo, não? Não deixar que o outro atinja a maturidade e continue sendo medíocre. Se eu sou capaz de ver o bom das pessoas tenho que ser capaz e 'exigir' que a pessoa que esteja comigo faça o mesmo.
Nara: - Faz sentido.

Tomam outro gole.

Nara:  - Dai, você acha mesmo que ser feliz é uma questão de ser?
Dai: - Acho sim, olha a gente sendo.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Meu ódio dura pouco, meu amor também

É um certo relapso. Não somente com os outros, que não seria menos grave, mas é um desleixo com si mesma. Se o ruim nunca é ruim o bastante, como o bom pode ser? 

É um tipo de desistência. A indiferença nos torna apáticos, descrentes, desmotivados e melancólicos. 

É um tipo de inércia. Você não troca as flores mortas dos vasos. Não abre a cortina. Não deixa a música ecoar. Não há cheiro de alho fritando no azeite.

É um desastre. Não há mais suspiro. Brilho nos olhos. Hidrante no corpo. Presilha nos cabelos. O amor se foi, até mesmo o próprio.


(ouvindo)

sábado, 31 de março de 2012

Tudo o que vai, pode só ir

Porque é duro aceitar. Sei que a insistência só piora as coisas, mas eu insisto porque quero refazer os passos, saber onde foi mesmo que largamos as mãos e fomos um para cada lado. O duro de relacionamentos não nomeados é que não pode-se discutir. Conversar. Perguntar por que.

Por que?

Assim, você veio, eu disse que estava tudo bem, nada de mais, a gente curtia esse tempo junto e pronto. Mas não. Você quis mais. Quis que fosse intenso, exigiu minha alma, eu dei. Dei porque é de mim tentar, me desvendar, me arriscar. Quanta bobagem. Foi na entrega que te perdi. Quando você dá dois ou três passos a mais do que poderia dar e diz isso, você espera que a outra pessoa faça o mesmo. Quis que você fizesse isso, mas você separava bem as coisas e a minha entrega, mesmo que motivada e apressada por você, não o obrigava a fazer o mesmo. Descompassos que não entendo. Hoje sinto falta do que tínhamos antes, do que tivemos então e sobretudo do que poderíamos ter tido.

Porque é muito duro desistir.

sábado, 17 de março de 2012

Endereço não encontrado

Essa velha mania de passar ao outro o próprio destino. Você está lá, seguindo sua vida, quando de repente pensa: puxa, não seria uma boa ideia entregar a minha vida na mão de outra pessoa?

Não, não seria.

Mas a gente faz e o “entregar-se” só não é mais literal porque não podemos nos mandar embalar, dar um laço e nos mandar por correio.

Ainda não estou certo se o problema é se entregar ou se é se entregar e ao mesmo tempo querer ter controle. A partir do momento que você entrega, o pacote da sua vida está na mão do outro e, pobre ser humano, o que cabe a você é rastrear para ver onde você está indo parar.

E se você não gosta por onde a coisa caminha? Cantarola Cartola: “Disfarça e chora, todo pranto tem hora”. Bom, talvez tenha chegado a hora de chorar, espernear e esgoelar. Grita, ser oprimido, porque você se entregou a alguém e simplesmente você foi parar em destino desconhecido.